O Balanço, de Jean-Honoré Fragonard - por Gabriela Fresneda

 


Um balanço de primavera

    Tarde ensolarada, coberta por delicados galhos, um balanço rangia ao mover-se. 
    Mulher de pele branca, cor leite, seu vestido fluindo no ar como as ondas do mar em uma manhã tranquila.
    O rosa florescia perante ao verde vasto da floresta, apagando, ou melhor, desviando o foco dos homens ali presentes.
    Um admirador se encantava com a visão angelical e vulgar, espantado em ver detalhes que nenhum homem deveria ver. 
    A dama tinha um marido, perdido em meio as sombras das árvores enquanto a balançava, levando o admirador secreto ao deleite a cada balançar.
    O cheiro da primavera nublava o relacionamento em ruínas.
    Anjinhos esculpidos delicadamente viam a cena, alguns horrorizados com a depravação, já outro estava pedindo para que a primavera escondesse aqueles atos por meio de gestos de silêncio.