Um balanço de primavera
Tarde ensolarada, coberta por delicados galhos, um balanço rangia ao mover-se.
Mulher de pele branca, cor leite, seu vestido fluindo no ar como as ondas do mar em uma manhã tranquila.
O rosa florescia perante ao verde vasto da floresta, apagando, ou melhor, desviando o foco dos homens ali presentes.
Um admirador se encantava com a visão angelical e vulgar, espantado em ver detalhes que nenhum homem deveria ver.
A dama tinha um marido, perdido em meio as sombras das árvores enquanto a balançava, levando o admirador secreto ao deleite a cada balançar.
O cheiro da primavera nublava o relacionamento em ruínas.
Anjinhos esculpidos delicadamente viam a cena, alguns horrorizados com a depravação, já outro estava pedindo para que a primavera escondesse aqueles atos por meio de gestos de silêncio.
